sexta-feira, 1 de maio de 2009

foto: simao abril 2009
foto: simao abril 2009

foto: simao abril 2009
Arco-íris brilha na Zona Leste de S P (Foto: Michel B. Halkewitsch / G1) 14/04/2009

O meu nome!

Não sei, eu nunca soube dizer o meu nome!
Ainda que soubesse de nada adiantaria te dizer.
Mas por que te dizer o meu nome - mudaria o quê?

Uma vez quando de longe, lá do alto da mais nobre esperança,
Chamaram-me de tal fulano, quis tentar conhecer os ouvintes,
Havia tantos na mesma aflição. Não me dei conta do meu nome.
É possível que eu tenha perdido a oportunidade de me conhecer.

Pois nunca quis saber o meu nome – não o tenho. non natus!
Sabe de uma coisa, amiga! Chamam-me de tudo quanto sou.
Um anjo a quem devo humildades, por não lhe negar o amor,
Ainda assim, chamou-me de demônio. – Fiz-me de ridículo!

Tentei me explicar, mas não adiantou. – Sou um ridículo!
Chamam-me de demônio, nem assim, por tudo, não o sou.
Quando me sinto nada de ninguém, nem mesmo anjo mau,
Contrário a tudo, não sou eu o mais ridículo. - Sou?
In lembranças - 1° out 1996

Num velório do Araçá

Perdemos um amigo dos bons, sem o conhecer.
Ganhamos saudades eternas sem saber por que.
Quando acordamos de uma noite mais profana,
Nem a vida nem a morte se questionam, em jogo,
Está o processo definido, concluído, pois, quando
Se diz: saudade...

Um homem velho – Uma mulher!
Um homem novo – Moça – Uma criança!
E lágrimas, magoados risos de conversa-fora.
Respiro ao alheio frio inquestionável da noite
– Um homem diz: - Saudades! E se consterna.

Lá fora, em volta às vidas, continuam os automóveis.
Deparam-se, insultam-se e cigarros fedem queimados.
Pedintes me agradecem a vida a Deus. - Digo Amém!
Lamentos se transformam em orações ora pro nobis.
As lágrimas da moça bonita descem e sem pecados.

O rosto dela chora! Mas tudo aqui é noite-madrugada!
Tudo parece aqui frio e inerte – é campo acimentado.
Sob o céu não há mais um tempo enfermo – é frio!
In lembranças - 5 out 1996

3 comentários:

MARTHA THORMAN VON MADERS disse...

Muitas lágrimas descem sem pecado professor. Que bom lhe ter aqui. neste lugar sagrado, cheio de paz, serenidade e muita beleza.
Sim, beleza, beleza eterna, beleza dos mármores, das saudades, dos sorriso ,das lembranças....
beijos professor, a morte não é o fim, é o começo!

Estevam disse...

Meu caro amigo, bom companheiro, Simão, hoje, sobrou-me um tempo para "navegar" e sobre as suas águas ao vento de suas árvores grandes li muitas de suas lembranças, ora tão perto ora tão distante, ora pois pois!

grande satisfação, um abraço!
Estevam, das docas.

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Olá, querido amigo Simão:
Como vai? Vi as fotografias, deram-me calma. Depois, li o poema sobre "o seu nome", gostei, faz parte das "suas memòrias", bem como o seguinte, triste, muito triste, mas as lágrimas lavam a alma e os que foram deixam boas lembranças.
Saudades suas, amigo.
Quando der, e se quiser, apareça no Galeria, pois publiquei um post conclamando à paz, a começar pelo filme que foi feito na França sob a ocupação nazista.
Mas só vá se quiser. Se não quiser, vá ao Feminina, ao Amor, ao Tristão e Isolda, que fechei e reabri. Ou não vá a nenhum.
Deixo-lhe meu abraço carinhoso,
Renata Cordeiro