segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Vinde Vós, Natalinos

Olhe apenas olhe essas águas que do céu
Caem em gotas duras perfurantes!
Esses mares que o azul tingiu vossos olhos
De verde lama horrenda e fria.

Olhe os rios transbordados e aos céus escuros
Nuvens e tormentos em prontidão vos espreitam!
Olhe as águas que caem em enxurradas sinuosas,
São prantos tristes e mutilados sem horizonte.

Olhe! Olhe os mares nos céus em mantos pesados
Brancos em rebanho de cordeirinhos à-toa!
Olhe aos mares céticos das marés contínuas,
Em gira-mundo, gira-mundo, tontos!
E o vento às folhas canta o prenúncio!
E vem dezembro e traz Natal à imagem bizarra manjedoura
Santa de Papai-Noel vendido em pão e vendido em carne
Ao sonho da fartura escassa dos meninos à toa!
Vinde o sonho pueril à idéia de Jesus!
Menino prodígio do Natal moderno sem tempo!
Vinde a mim, Ó Pai generoso às horas ingratas!

Venham a mim as criancinhas!
Venha a mim ao colo de Jesus
A dor ao peito clama e chora.
Vinde vós, Ó mãe generosa,
Vossos filhos ao infortúnio choram!
Vinde vós - Natalinos!
In Verdades - 2007, simao

Um comentário:

PHYLOS disse...

Caro Simão, excelente texto, algo nostálgico, algo profético. Gostei muito. Abç