quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Crônica do carnaval

Primeiro dia. Quem não se lembra da moça de pouco pudores que agitou um desses carnavais? Já vão longe os desenganos. Cinzas são amanhã. Carnavais seminus apadrinhadas, pagãos. Quantos suores rolaram e desejos e cinzas e cheiros e odores e sexo e cerveja e cachaça, purgarão travestidos de pierrôs, de colombinas, arlequim musa enfeitada de olhos foliões a bonecos figurões mais uma vez passarão na tua estrada.

A sedução da loira corrigida às curvas tortuosas das mulatas aos olhos enfeitados de turistas, vindo não sei de onde, fugido das pestes, das enchentes, da gripe aviário, da vaca louca, terremotos e de furacões. Verdade seja dita, já sinto saudades desse carnaval que sequer acabou tão tarde. Sentaste-te atento as alusões. Viste as águias ingênuas em alegorias de seres real da imaginação. Não fizeste o ritual nem dançaste o carnaval.

Romanos primitivos alegres investidos de boa-fé mundana colados à pele de suores se propagam aos templos profanos das periferias capitais aos gritos estéreis de multidão. Segundo dia diversifica-se as Saturnálias. Baco e Momo dividem as honrarias dos festejos em gritos e xingamentos do extremado gostos dos foliões.

Terceiro dia imagina-se o que se perdeu em restos de cinzas a hierarquia das carnes dos homens escravos, filósofos e tribunos. Restou a praça pública e os sambódromos in memoriam vivos - Era Cristã.

Censuras não há. Os templos ainda são cristãos, as festas mais animadas têm algumas restrições, guardam-se os desejos da abstenção das carnes antes da Quaresma, pois semana santa?
In Verdades - 24 fev 2006

Um comentário:

matheus disse...

É isso aí, Simão, o carnaval é mesmo um barato desporporcional, vale tudo para todos, muito mais para poucos. Não sei se valeu o trocadilho, mas se não tentar se dizer qualquer coisa, de nada importa os seus textos, portanto, vamos nós falando o que se deve ou não se deve falar nada.

gostei da crônica.
Abraço.