sábado, 19 de janeiro de 2008

PARLATORIUM

Nesse instante me dei conta de que tudo que me disseste
Era verdade, não poderia ter sido diferente...
Embora eu vivesse entre montanhas altas ao clarão das luas,
Longos rios de correntezas rápidas lavavam os meus pés sujos.

Nunca me faltou quem me dissesse o contrário, maneira diversa e grata de viver.
Eu sabia de tudo, antes de mãos vazias, vivia ao gosto, gozo da juventude ingênua.
Sentado e pagão, entretanto, me sentia o mais cristão dos apóstolos de Jesus,
Judas! Veja só o que me disse uma vez a Lua! — Ingênuo eu fui...

É verdade que a natureza reflete o futuro ao tempo esperado,
Diz-se do tempo completo ciclo glorioso e ermitão da existência
Da nossa cruz fado-Universal, bendita cruz!

Agora, dei-me conta de que não fizera, hoje! Amanhã já é noite escura,
Tiveste sempre razão, entendi. Viste-me de branco nulo-transparente,
Em luto complacente guardava a penitência das almas conformadas afins.

Espaços vazios, nuvens nebulosas cinzas passageiras, céus horrendos!
Anjos tortos de marfim teimosos me diziam das mentiras e da única
Verdade de sentir, contudo, fiz de conta e não Te ouvi.

Subi em palco de luzes tristes de sombras,
Representei, fingi e menti à toa me divertia.
Cantava, mas não Te ouvia.

Irresignado, até que um dia desse desocupado de qualquer tempo,
Resolvi outra vez tentar Te ouvir.
In Verdades - 13 jul 2005

Um comentário:

Danilo disse...

Parabéns caro amigo, pelo dom de apor em escritos os comentários vividos e sentidos em um coração!!!
Belos ideais, que nos forçam a educar um pouco mais nossa mente!!!
Um abraço!
Danilo.