quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Quando eu te conheci

Vibravas entre deleites desastrosos
Era uma pequena nuvem de fumaça
Qual espalhava teimosia, chuvas
Que de sóis ardia

Um pequeno vulcão dividido entre amores
Sôfregos e dores que de solidão
Às vezes se embebecia
Que de sonhos se dormia

Outras manhãs
Via-te sorrir
Tantas vezes horas do dia
À noite, momento oportuno d’agonia
Uma luz, uma lua misteriosa de néon

Um torpor de alma doce
Segui-te entre linhas sinuosas do céu
Vibrante melodia o teu clamor

Deu-se a madrugada — eu não dormia
Murmúrios, queixumes, rara melodia
Perfumes de rosas tristes eu bebia

E foram assim outros dias
Agora, ‘inda é verão, mas esfria
Tanto a distância que coração nenhum

Permite ou denuncia
Razões que ora me venciam
Se a chuva é fertilidade

Ora! Está chovendo
E o meu canto é um rio complacente
Corre rio — o mar é a tua nascente!
In Janelas abertas - 1ª ed. nov 2007

2 comentários:

PHYLOS disse...

O uso da palavra por um mestre do lirismo. Este mar é imenso. Abraço forte.

Gasgon disse...

Caríssimo Professor:

De emoções já havia sido invadida minha alma ao sorver "Quando eu te conheci" no "Janelas". Agora, novamente, o prazeroso fenômeno se repete graças ao "Árvores". Muito grato por compartilhar com o MUNDO seu intestimável talento.